sábado, 27 de junho de 2009

O resto é silêncio

É incrível como a gente não se dá conta da importância que algumas coisas têm e acaba tomando-as como verdades absolutas e, por vezes, imutável. Existe uma expressão em inglês que descreve isto muito bem, que é take for granted. Isto serve tanto para coisas, situações, como para sentimentos e pessoas.

Pois é, eu sempre acreditei que pessoas incrivelmente talentosas são imortais, porque as pessoas morrem, mas suas obras permanecem. Talvez seja por isto que eu tenha ficado tão perturbada com a morte de Michael Jackson. Passei 2 dias revirando a internet e assistindo a diversos especiais na tv em busca de notícias mais esclarecedoras sobre a misteriosa morte, a carreira e a vida do Rei do Pop.

Michael Jackson revolucionou o mundo da música - era cantor, compositor, produtor - e encantou a todos com seu inesquecível moonwalk. Ele não foi apenas exímio cantor, compositor, dançarino, também definiu o videoclipe e foi o precursor do que hoje chamamos de showman. Ele nos mostrou que a música poderia ser uma experiência audiovisual. Coisa de gênio. Dono de um extraordinário talento, subiu ao palco pela primeira vez aos 5 anos de idade, acompanhado de 4 irmãos, na banda The Jackson 5. Em 1979, aos 21 anos, lançou o álbum Off The Wall, considerado um divisor de águas na música pop. Três anos depois, Michael lançou sua obra-prima e o álbum mais vendido de todos os tempos, Thriller. E foi com uma das músicas de Thriller, “Billie Jean”, que o talentoso dançarino mostrou ao mundo seu passo deslizante que virou febre mundial, o “moonwalk”, em maio de 1983. O curta-metragem produzido por John Landis para a faixa “Thriller” revolucionou a história do clipe e impressionou milhões de crianças com seus dançarinos zumbis. Tudo isto aos 24 anos! Ali nascia uma lenda. 

Michael Jackson foi superlativo. Tudo que se refere a ele, sua obra, sua vida, sua carreira, suas excentricidades, sua busca incessante pela perfeição, absolutamente tudo era excessivo. Ele não conhecia limites. Ele foi negro, branco, menino, homem, anjo, andrógino. Atormentado por um pai abusivo na infância, sua obsessão por parecer diferente fez com que ele assumisse múltiplas feições. Michael Jackson soube reinventar-se e criou ícones de si mesmo: o paletó e as luvas brilhantes, as meias brancas, as calças curtas, os sapatos e o chapéu preto. Inesquecível.

Michael sempre foi controverso e talvez por isto tenha sido perseguido, acusado, absolvido, santificado, imitado, idolatrado. Mas foi, acima de tudo e indiscutivelmente, um gênio. Cansado de ser alvo de acusações e fofocas, tornou-se, nos anos 90, uma caricatura de si mesmo. Viveu a segunda metade de sua vida recluso, isolando-se num rancho na Califórnia, o famoso Neverland.

Apesar de tudo, Michael sempre me pareceu um homem extremamente solitário. Para alguns, o Rei do Pop era mais uma celebridade cujas extravagâncias sempre colocavam o limite da sanidade um pouco mais adiante. Para outros, porém, ele é e sempre será insubstituível. Sim, porque, por mais que a gente insista em considerar algumas coisas como certas, ou supor que as pessoas que a gente ama e considera estarão sempre ao nosso alcance, algumas pessoas são insubstituíveis. Resta-nos reconhecer quem é, de fato, insubstituível em nossas vidas antes que seja tarde.

Michael foi traído por seu coração. Não houve tempo suficiente para que ele retornasse aos palcos e iniciasse a turnê que encerraria sua carreira em Londres no mês que vem. Aos 50 anos de idade, no dia 25 de junho de 2009, em Los Angeles, Califórnia, morreu o Rei do Pop. Michael deixa 3 filhos e uma obra inigualável. Como disse Madonna, “o mundo perdeu um dos melhores, mas sua música viverá para sempre”. Michael Jackson agora é um mito. O resto é silêncio.

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